terça-feira, 12 de maio de 2015

Para que serve a poesia?




Havia uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho havia uma pedra. É poesia de Drummond.
Falando em poesia, há sempre uma nova coletânea sendo lançada no mercado editorial, tentando atrair aqueles leitores que ainda resistem a qualquer coisa que rime. Em 2005, Eucanaã Ferraz, professor de Literatura Brasileira na UFRJ, lançou o livro “Veneno Antimonotonia” e traz o subtítulo “Os Melhores Poemas e Canções Contra o Tédio”. É um convite para a vida, feito através das palavras de Drummond, Chico Buarque, Antonio Cícero, Ferreira Gullar, Adriana Calcanhoto, Armando Freitas Filho, Vinicius de Moraes, Caetano Veloso, João Cabral de Melo Neto e outros ilustres, sem falar Cazuza, claro, cuja canção “Todo Amor que Houver Nesta Vida” – uma das minhas letras preferidas – inspirou o título da obra.
Até hoje pergunta-se: para que serve a arte, para que serve a poesia?
Intelectuais se aprumam, pigarreiam... “Veja bem…” e daí em diante é um blábláblá teórico que tenta explicar o inexplicável. Poesia serve exatamente para a mesma coisa que serve uma pedra no meio do caminho. Para alterar o curso do seu andar, para interromper um hábito, para evitar repetições, para provocar um estranhamento, para alegrar o seu dia, para fazê-lo pensar, para resgatá-lo do inferno que é viver todo dia sem nenhum assombro, sem nenhum encantamento.

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