sábado, 19 de maio de 2012

Quando eu tinha 14 anos, não chegava a ser rebelde, rebelde, mas dava as minhas cacetadas.Nessa época pensei em colocar brinco (muito em moda na década de 1980), depois veio a fase mais rock and roll, ouvia muito Beatles, The Woo, Led Zeppelin. Pensei também em me tatuar. Só que ao contrário do brinco (sim, ‘brinco’, no singular. Não se usava dois brincos em heterossexual do gênero masculino), que minha mãe categoricamente proibiu, eu nem cogitei a idéia em pedir para me tatuar. Minha rebeldia não era tanta assim, eu podia muito bem expressar minha rebeldia bebendo, fumando, saindo com a menina que quisesse uma noite com um rebelde e dormindo às 7h da manhã. Bem mais saudável para um adolescente. Fui fazer a tatuagem desejada desde os 14 anos aos 36. Eu não cogitava outra que não fossem os símbolos dos integrantes do Led Zeppelin
– emblemático, enigmático, significativo. Claro que depois fui pesquisar o significado de cada símbolo. E cada vez me deparo com um significado diferente para eles. O mais emblemático que achei agora foi que o baixista John Paul Jones escolheu. (o 3º de cima para baixo) É um símbolo ambíguo, utilizado por vários povos, culturas e religiões antigas. Vou descrever para os preconceituosos de plantão, de certezas absolutas que carregam na cabeça lavada a éter: Esse símbolo é uma Triquetra, palavra derivada do Latim que significa triângulo. Atualmente conhecido como símbolo místico dos praticantes de Wicca (prima Luciana, me corrija se eu estiver errado) e também pelos cristãos por um dos seus vários períodos místicos. A triqueta ou triquetra é um símbolo tripartido com três vértices entrelaçadas, marcando a interseção de três círculos, formando um triângulo. Para os Celtas representa o infinito, o eterno. Não achei qual cultura criou esse símbolo, mas todos da minha pesquisa acreditam que seja originalmente Celta. Apesar de ter achado nas culturas Gregas (representando o passado, o presente e o futuro). Os cristãos associam o símbolo ao satanismo e à bruxaria (como se essas duas crenças fossem as coisas mais pecaminosas, representantes do mal na face da terra). O mais engraçado é que esse símbolo hoje reverenciado pelos praticantes da wicca já foi considerado um símbolo cristão durante as cruzadas com outro nome - Cruz de Lorena. Utilizada pelos Duques de Lorraine (ou Duques de Anjou). A Lorena cruz foi conduzido às Cruzadas pelos Cavaleiros Templários, concedido a sua utilização pelo Patriarca de Jerusalém. Nessa época ela representava nada mais nada menos que a Santíssima Trindade - Pai, Filho e Espírito Santo - cercados por um círculo inquebrantável representando a eternidade, a imortalidade de Deus. Representa também a indivisibilidade das três formas de Deus, sendo diferentes, mas indivisíveis. A união de Deus e os homens através da alma humana, que é um pedaço de Deus dentro do homem, unindo o espiritual imortal ao humano mortal. Religião, religião... quanto mal eles farão para o ser - humano em nome de Deus? Suas guerras, suas teorias de conspiração, onde tudo é satânico. É a burrice inventada por um bando de doidos fundamentalistas e terroristas que habitam o mundo do norte ao sul, do leste ao oeste. Para os Wicca ou os pagãos, a triquetra representa a Deusa (natureza) e sua natureza tríplice, a mãe, a virgem e a anciã (aqui se confunde com a idéia grega) que respectivamente representam a vida (mãe), a morte (anciã) e o renascimento (a virgem) e as três forças da natureza terra, ar e água… os círculos interiores entrelaçados significam ainda o elemento feminino e a fertilidade. (Prima Luciana me ajuda!). A verdade que é um símbolo muito antigo, mais que o cristianismo, aparece também como nó de Odin. Os símbolos e a cultura pagã foram incorporados ao cristianismo. Uma das mais difundida é o Natal. A minha tatuagem não possui nada mais que uma imagem bacana para um cara que gosta de rock and roll. Símbolos podem significar muitas coisas, dependendo da cultura na qual estão inseridos. Um exemplo bacana disso é a suástica que era utilizada pelos budistas dezenas de séculos antes de Hitler. Um símbolo só é sagrado ou profano, diabólico ou divino, bom ou mau, para aquele que assim o considera. Sob a insígnia da cruz, as mais diversas atrocidades foram cometidas (como as cruzadas e a inquisição). Também sob o mesmo emblema, ações nobres foram praticadas por Martin Luther King e Madre Tereza de Calcutá. Quer saber mais sobre símbolos, leia “O homem e os seus símbolos”, de Carl Jung. Não tenham medo de imagens. No Brasil se uma coruja pia perto de alguém, esta pessoa está com os dias contados, mas na Grécia ela era símbolo de sabedoria. Hoje é o símbolo gravado no anel de formatura dos alunos de letras, ao lado de uma flor de lis, que foi o símbolo da nobreza da França, mas que também já foi usada como forma de punição - todos aqueles “marcados” pela flor de lis eram assassinos e criminosos. A minha tatuagem será consumida pelo fogo do crematório e viverá em fotos – a não ser que meu filho Felipe mande descarná-la, emoldurá-la e pendurá-la na parede de algum templo de adoração ao rock and roll.